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quarta-feira, 17 de março de 2010

Primeiro Ser Vivo No Espaço Pt. 2

A Pequena Peluda possuía em torno de 3 anos, menos de 6 quilos e vivia abandonada nas ruas de Moscou quando foi capturada para o programa espacial soviético.


Primeiramente a chamaram Kudryavka Risadinha, depois Zhuchka Bichinho, Limonchik limãozinho e finalmente de Laika Latidora, devido a característica de sua raça levemente siberiana.

A imprensa americana a batizou de Muttnik.
Os cientistas acreditavam que um cachorro de rua acostumado a lutar diariamente pela sobrevivência suportaria melhor os treinamentos e à falta de gravidade do que um cão de raça.
As fêmeas foram escolhidas porque não precisariam ficar de pé e erguer uma perna para urinar.


O Treinamento de Laika

Laika demonstrou que os animais poderiam sobreviver aos rigores das viagens cósmicas.
Seu treinamento consistia em simular condições e ambientes que vivenciariam durante o lançamento e o vôo.
A extensa duração dessas viagens exigia que os animais se adaptassem em permanecer confinados por um longo período.


Assim como outros animais, Laika foi submetida a intensos e estressantes treinos, como permanecer em compartimentos cada vez menores por até 20 dias, altos ruídos, vibrações, acelerações e cargas G excessivas em máquinas centrífugas.
Ao final, tinham todo seu metabolismo alterado, com diversos distúrbios ocasionados pela deteriorização de sua condição física e psicológica.

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O Vôo de Laika

A cabine pressurizada era revestida com material acolchoado e Laika foi vestida com um traje especial, tendo vários sensores ligados ao seu corpo.
Após o lançamento, um problema de desacoplagem de um módulo impediu que o sistema de controle térmico funcionasse corretamente, elevando a temperatura interior para 40 °C.


Após três horas de micro-gravidade, os batimentos cardíacos de Laika reduziram três vezes mais que o experimentado durante os treinamentos, indicando o alto estresse em que estava a cadela.
A recepção de dados vitais parou entre 5 e 7 horas após a decolagem.


Entretanto, Moscou informava que Laika se comportava calma e estável em seu vôo e que, em poucos dias, regressaria de volta à Terra, primeiro em sua cápsula espacial, e depois de pára-quedas.
Em seguida, anunciou que Laika não retornaria e iria morrer sem dor no espaço, após uma semana em órbita.

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O anúncio causou assombro em todo o Mundo.
Os cientistas planejaram dar-lhe comida envenenada após 10 dias, não ocorrendo como planejado


Estampa de Laika em selo da Romênia - 1957

Durante anos a União Soviética deu explicações contraditórias sobre a morte de Laika, ora afirmando que a cadela havia morrido por asfixia quando falharam as baterias, ou que havia recebido eutanásia conforme os planos originais.


As Horas Finais de Laika

Relatórios oficiais eram de que Laika fôra posta para dormir tranquilamente com um gás na cápsula ou morreu quando as baterias de provisão de ar expiraram após uma semana em órbita.
Apenas em 2002 se soube publicamente do destino de Laika


O cientista Dimitri Malashenkov, que participou do programa Sputnik 2, revelou recentemente que Laika havia morrido entre cinco e sete horas após a decolagem, de estresse e devido ao superaquecimento por falha no sistema de controle térmico da nave.



Réplica Sputinik em museu


Versão também sustentada pelo engenheiro Gyorgi Grechko de que ela havia morrido devido ao calor e ao pânico, sofrendo desidratação e convulsões.
E de acordo com o Dr. Malashenkov, os sensores mostraram que seu pulso diminuiu dramaticamente depois do lançamento, uma indicação da tensão extrema que ela sofreu, não recebendo mais sinais dela após 7 horas.
Somente agora foram revelados muitos detalhes do que realmente aconteceu à missão e como morreu Laika.


O Legado de Laika

O vôo de Laika instigou a imaginação das pessoas em todo o mundo e abriu caminho para a participação humana em vôos espaciais.
O primeiro cosmonauta da história, Yuri Gagarin, teve de esperar três anos e meio para ver cumprido o sonho de um ser humano ir para o espaço, em 12 abril de 1961.


Na época, discutiu-se muito mais os créditos políticos obtidos pela missão do que a exploração dos animais.
E passados 50 anos, questiona-se os avanços científicos à custa de testes com animais.


Laika foi e é parte da cultura pop contemporânea.
Mas dependendo da época, as opiniões são a favor ou contra ao fim que se deu à experiência.



Antes foi celebrado sua morte.
Hoje é motivo de rejeição.
E em sua homenagem, milhares de cadelas em todo o mundo foram e ainda são batizadas com o seu nome.

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Em 1997, na Cidade das Estrelas, foi inaugurado um monumento para os heróis do espaço, em homenagem aos cosmonautas mortos.
Laika está representada na placa como um pequeno cachorro perdido das ruas de Moscou.
Laika e Lênin são as únicas personalidades que se podem reconhecer por seu nome, entre todos os personagens que aparecem esculpidos nesse monumento.

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Laika representou um espírito desbravador que nos levou
onde nenhum homem tinha ido antes.
Para outros, ela simbolizou a exploração cruel de criaturas inocentes para benefícios duvidosos dos humanos.
Talvez isto seja melhor expressado nas palavras de Oleg Glazenko, cientista responsável por enviar Laika ao espaço.


Em 1998 numa conferência em Moscou, ele disse à imprensa:


Trabalhar com animais é uma fonte de sofrimento para todos nós.
Quanto mais tempo passa, pior me sinto à respeito.
Não aprendemos o suficiente nessa missão para justificar a morte da cadela.

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Laika foi o único ser vivo enviado ao espaço para morrer.
E depois dela, nenhuma outra missão tripulada por animais foi lançada sem que existisse um sistema para o retorno seguro do animal.
A 14 de Abril de 1958, após percorrer 100 milhões de quilômetros e 2570 revoluções em volta da terra, a Sputnik 2 consome-se na atmosfera com os restos mortais de Laika.

Laika foi, sem dúvida, a grande viajante das estrelas, ainda que involuntariamente, e provou sua valentia com a própria vida.

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